Leia e apaixone-se!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Praia do Santinho


Praia do Santinho

Hoje, em 27 de janeiro de 2016, veio a vontade de escrever e inspiro-me na Praia do Santinho, onde estou desfrutando do verão no seu primeiro mês. E é, inegavelmente, um tema louvável pela importância que tem sua imagem, paisagem, história e serventia.
A Praia do Santinho fica no norte da Ilha de SC, depois da Praia dos Ingleses, sentido leste, trafegando-se pela Rodovia Estadual 406. Tem uma extensão de 2200 metros e, apesar de suas águas serem muito movimentadas, avisando perigo constantemente aos turistas, ela é a mais linda e a mais limpa da ilha. E tão límpida que se sente no ar um cheiro de siri, veem-se os peixinhos e, no fundo, a areia embolada pela agitação, num relevo em forma de piscininhas, onde as crianças brincam relaxadas. “Esta é a minha praia”.
Pela manhã o sol nasce entre as nuvens cortando as imagens das pedras nos morros que molduram os extremos da extensão. Mais à direita, no final da mesma, encontra-se a Ponta das Aranhas, que por estar próxima às Ilhas das Aranhas, recebeu essa nomeação geográfica. Essas Ilhas eram três muito próximas e, por isso, mais tarde, foram consideradas apenas duas, chamadas Ilhas das Aranhas por haver muitas aranhas na região. Ouve-se o ilhéu até hoje chamá-las de “Dazaranhas”.
E por que Santinho e não Praia das Aranhas?
Existe uma lenda que na ponta dos rochedos aparecia um santo, santinho; outros acreditavam ser coisas de bruxaria ou similar. A região é rica em inscrições rupestres deixadas pelos homens do Sambaqui, importante registro histórico para pesquisas e visitação, mas que na época eram vistas como coisas do demônio ou das bruxas. O fato é que a praia está registrada como Praia das Aranhas, mas como foi, por muito tempo, chamada de Santinho e, após 1990 ter a construção de um empreendimento hoteleiro, denominado Costão do Santinho, o topônimo pegou.
Praia dos deuses, dos ricos, dos pobres e dos pescadores. Fonte de renda na Pesca e no Turismo.
Com alguns restaurantes, algumas pousadas, casas residenciais disponíveis à locação, comércio ascendente, muitos moradores aposentados que vêm da própria ilha, ou de fora, aqui fixam residência e pescadores nativos que vivem da pesca artesanal, Santinho, aos poucos vai recebendo a infraestrutura que sua beleza exige.
Hoje, a praia que era tranquila, passou a ser muito frequentada e descoberta pelos turistas que costumavam veranear em praias vizinhas. Mas a poluição do Rio Brás e outros meios poluentes, motivada pela falta de cuidado, respeito e conscientização dos próprios usuários e mais o descaso das autoridades competentes em tomar devidas providências, muitas praias das quarenta reconhecidas, ficaram inadequadas para o banho e lazer. Que lástima! Hoje chegando, seja pela manhã, tarde ou noitinha, a praia do Santinho parece Copacabana. Lotada! – Ih! Descobriram nossa praia! - ouve-se de alguém.
E o que se espera?
Que volte à normalidade. Não para aliviar interesses de moradores no ganho de areia, praia e mar... Mas sim que as praias lindas de Florianópolis ganhem saúde, respeito, educação e prestação de serviço tanto dos usuários, moradores, quanto das autoridades no cumprimento de suas atribuições.
Afinal há bônus e ônus em questão.
E aí, minha linda e bela Santinho, eu voltarei para usufruir deste pedaço de mundo, maravilhoso, afrodisíaco, cheiroso e gostoso, com cheiro de mar.

Texto de Janice de Bittencourt Pavan 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

As fases da Vida



AS FASES DA VIDA
Estamos neste mundo para viver bem e fazer o bem. Certíssimo.
Se não fizermos bem ao próximo, mas se fizermos o bem para nós mesmos já estará de bom tamanho. Certo? A nossa missão aqui na terra é exercitar o bem. Não importa se houver uma centena de inescrupulosos, de vadios, de corruptos ou ignorantes à nossa volta. O importante é fazer a nossa parte, aplicarmos a sensatez nas tarefas para deixarmos o legado do bom exemplo.
Estou escrevendo bobagem? É muito óbvio? Mas é bom que pensemos assim bem simples. Para que complicar? É na simplicidade que chegaremos aos grandes feitos, às grandes conquistas.
A vida nos apresenta várias oportunidades e várias fases para que possamos crescer nos erros e nos acertos. Cada fase tem seu encanto. Cada encanto no seu tempo.
Depois da fase de se engasgar com a mamadeira, de espalhar arroz pelo chão, de por o dedo na tomada, de cair do carrinho, de espalhar shampoo no carpete da casa, de beber líquido estranho, de brincar de amarelinha, de jogar bola ou ficar encafifado no video - game ou computador ...A  gente ama a vida porque essa fase foi gostosa, trabalhosa, dificultosa, maravilhosa, cheia de “osa”, para os pais e para os filhos, porque brincar é um presente.Criança brinca e adulto se diverte com elas.
Depois de fazer rabiscos nos cadernos, enchê-los de orelhas, soletrar os fonemas e desenhar para colorir os estudos, aprender tabuadas , redação e um monte de informações úteis...A gente ama viver porque está entrando num mundo de riquezas, belezas, surpresas e um montão de “esa”, por se sentir  pronto para subir degrau por degrau a escadinha do saber e poder conversar com o mundo. O aprendiz se alegra e o adulto fica orgulhoso.
Depois de cometer algumas gafes, pagar alguns micos, curtir insegurança, ainda meio criança, vai bisbilhotando a vida, vai conhecendo o mundo e aí, aos poucos, vai se achar crescido, sabido, entendido, comprometido com o amar e viver porque superou os medos e se sente  feliz . E faz feliz o seu redor.
Depois de se rebentar para o vestibular, de se desgraçar atrás de um trabalho, espalhar currículo pela cidade inteira, deixá-lo até na casinha do cachorro, de fazer figa para ganhar um emprego e, se conseguir, dizer que a vida é bela, a vida é uma aventura, a vida é tudo de bom!
Depois de convencer a si mesmo que chegou, atingiu, ganhou, venceu... A noite não tem mais os embalos de ontem...Bate uma solidão! E...
Gostoso! Gostosa solidão. Você vai atrás de um amor, alguém pra compartilhar seus achaques, suas conquistas. Ah, força tarefa!
Quanto mais avança o século mais difícil fica quebrar-se a solidão. E os protagonistas ficam a espera do cupido, ou não procuram, ou se cansam de fazê-lo. Para uns o encontro com o Príncipe ou a Cinderela é logo ali. Para outros esta magia demora! Este território é longínquo... E o momento fica sendo adiado ou o Príncipe ou a Cinderela vai aparecendo conforme a estação, ou chega a despertar, querer entrar no túnel do tempo para facilitar o evento tão sonhado. E aí, quando ele chega! Ah, Dio mio! Non è possibile tanta felicità!...
E é uma fase maravilhosa, mesmo pisando em ovos, temerária, insegura, adaptando-se àquele ser que apesar do namoro, ainda é uma incógnita (como todo humano que se preza), está ali ao seu lado para o que der e vier. O que não é sempre assim, ou bem assim. Por isso a fase mais importante e mais crucial do seu viver. É a fase dos pros e dos contras, dos vamos ver o que o outro pensa, partilha de ais e de risos. Fase da descoberta do outro e acreditar no outro. De ver no outro não só os defeitos. Fase de investir na relação. Fase de colar a bunda na cadeira ou sofá para por os pingos nos “is” e pratos na mesa. Sem arma na mão. Nada de bang-bang. Únicas armas: a palavra, o carinho e vontade de acertar. Este é o dever do companheiro, companheira. Investir na relação, apostar no futuro dela. Acreditar no outro.
Para isso é necessário muito Amor. Pois Só o Amor Constrói como diz a música de Domingos Leoni.
Então, depois de você caminhar certinho pelos trilhos da vida, ter seu barraco bonitinho, seu emprego garantido e o Amor compreendido... Parabéns! Você quer ser pai. Você quer ser mãe.
Ah, que maravilha, meu Deus! Que maravilha meu Deus!
Se você tiver este privilégio... Se você tiver saúde... Se você tiver estrutura... Que maravilha, meu Deus!
As fases tornam a acontecer e você verá que todas as fases têm seu encanto quando são contornáveis. Toda fase tem seu encanto... Só não tem a fase com doença...
Mas há quem demonstre o contrário. No mundo há muita gente nesta fase e faz da vida um mar sem fim de riqueza pelo esforço, determinação, superação, esperança e conquistas. Pessoas que querem viver.
Viver! Porque temos o direito de ser feliz e o dever de fazer feliz.
Porque viver é a melhor opção.
Por que a Vida é Bela, mesmo assim, em todas as fases da vida.
Pense assim todos os dias e a Vida lhe será bem mais leve! Tenha certeza!
Texto de Janice de Bittencourt Pavan
Florianópolis, 18/09/15.
 


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Borboleta no Cartão


Numa reunião, entre colegas foram deixados sobre a mesa, cartões coloridos, tipo postais, para que cada um de nós olhasse a figura e escolhesse aquele com o qual mais se identificasse. Escolhi a borboleta.
Por quê? A princípio pensei em liberdade, pois ela é um ser que desperta e representa muito bem a liberdade. E quem não sonha com ela?
Borboleta!...Tão frágil!...Frágil como um sobrevoar. Sonho que todos procuramos e, que somente com muita responsabilidade e limites, conseguimos atingir com um resultado enriquecedor.
Em seguida, pensei na borboleta, lépida, inquieta, saltitante, colorida, alegre... Esta sou eu. Sim, eu me acho uma borboleta! Assim mesmo, com todos estes adjetivos. Pela inquietação que mora em meu ser, com a vontade imensa de sempre estar em vários lugares e inventando  trabalhos diferentes. Colorida porque amo estar assim e mexer com as cores do arco-íris, com muita cor, tendo sensações novas.
Alegre porque tenho vocação para a alegria, optei por sorrir e suavizar o meu redor com positivismo e perseverança.
-E bela! - comentou alguém na sala.  - Isso não conta, retornei. Lembrei, então, que uma pessoa me disse que ser bela incomoda muito. Ao que eu respondi que a beleza não é mérito de ninguém, pois o que somos foi nos presenteado pelos pais. Ninguém é belo porque quer ou feio porque assim escolheu ser. Não há, portanto, mérito em ser bela. Mérito é ter bom caráter, ter uma bagagem positiva e enriquecedora. Mérito é ter a vontade e ser alguém na vida, de se esforçar para ter alguma coisa ou conquistar os lugares ou os títulos que buscamos com nossos talentos.
Olho novamente o cartão: sobre uma palma de flores, a borboleta repousa suas asas.
Amei o cartão. Amei o exercício. Amo ser uma borboleta. Amo ter a sensação de que sou livre ao encontro do vento e transparente sob a luz do sol. Frágil sob as águas das chuvas, alegre por poder passar e trazer um sorriso ao rosto de alguém que esteja triste e precise de uma distração qualquer.
Borboleta... É... Eu gosto de ser.

Texto de Janice de Bittencourt Pavan, em 09/09/14.

Francisco Cardoso de Bittencourt


FRANCISCO CARDOSO DE BITTENCOURT, filho de Alfredo Cardoso de Bittencourt e Alice Maria de Bittencourt, nasceu em Jaguaruna – SC em 4 de outubro de 1916.
Quando jovem veio morar em Imbituba para se fixar no Trabalho, onde conheceu e casou-se com Apolônia Patrício, natural de Cangueri de Fora, município de Imaruí, com quem teve doze filhos, um deles falecido ainda bebê, Jane Maria, com apenas oito dias, portadora de espinha bífida.
Os onze filhos, graças a Deus, vivos, são: José Geraldo, Janete, Janice, Jairo, Jaime, Jaci nascidos em Imbituba-SC e Jorge Luiz, Jair, João Batista, José Lino e Jane Cléia, em Siderópolis, formando a tradicional “escadinha”, costume da época. Sou a terceira do clã.
Em Imbituba, morávamos em frente à rua paralela à Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina. Entre muitas casas, havia a nossa, a do compadre Villi, que era proprietário do Cartório de Registro Civil Inês Barreto de Souza, sua esposa, nossos vizinhos muito queridos. Atravessando a rua, bem em frente, havia um bosque de eucaliptos cortado por um caminho muito simpático por onde passávamos para visitar o pai ou levar comidinha pra ele na oficina da CDI - Companhia Docas de Imbituba. Nela, trabalhou até 1954 como mecânico e à noite foi operador de máquina que rodava filmes nos cinemas.
Em 1954 nossa família (Francisco, Apolônia e os sete primeiros filhos) veio para Rio Fiorita, Distrito de Nova Belluno, mais tarde Siderópolis, por admissão da Companhia Siderúrgica Nacional. A primeira residência foi no Rio Fiorita, Rua 14, próximo à Igrejinha Santa Bárbara, mais tarde numa das casas geminadas da Vila Residencial da CSN, Rua 6, próximo ao Recreio do Trabalhador, Panificadora, Açougue e Armazém da mesma empresa. Em 1962, nos mudamos para uma casa de propriedade, na rua próxima a Estrada de Ferro, Rua Assis Brasil, 19, sede de Siderópolis, casa esta comprada do Sr Manoel Quadra, que em seguida veio a ser sogro de meu irmão mais velho, José Geraldo.
A companhia Docas de Imbituba foi criada em 03/11/1922, tendo Álvaro Monteiro de Barros Catão como diretor e foi importante na exploração de carvão através do Porto de Imbituba, onde todos os navios de carga ou passageiros da Companhia Nacional de Navegação Costeira faziam escala.
Com a descoberta das jazidas de carvão no sul de Santa Catarina e a construção da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, fortalecimento do Porto de Imbituba, aumentou a exploração do minério e, com os incentivos do Governo e participação da Companhia Siderúrgica Nacional, chega em Siderópolis a maior segunda escavadeira de carvão do mundo: a Marion Dragline 7800 - USA cuja montagem iniciou-se em 1961 e contou com uma equipe especializada de engenheiros e mecânicos, entre eles, meu pai, Francisco Cardoso de Bittencourt.
Lembro-me do orgulho que ele tinha por ser um dos mecânicos que montou a Marion. Brincava com as visitas que, por tanto entusiasmo da parte dele, supunham ser uma moça, uma namorada. Ele ria e explicava: - Não, não precisa ter ciúmes, a Marion é uma máquina, a segunda maior do mundo em extração de carvão. Veio dos USA. - Inflava o peito, descrevendo como era e o que fazia para retirar o carvão.
Foi um pai muito atencioso com os filhos, não queria que faltasse nada para os mesmos e, sempre que um filho resolvia se casar, ele não media esforços; pelo contrário, dava maior apoio e ensinava a construir o “ranchinho”, casa tipo um, que servia de morada para o casal durante o primeiro ano. Companheiro, colaborador nas tarefas de casa, a ponto de cozinhar para a família, enquanto nossa mãe, D. Apolônia, saia a vender Avon e capas de eletrodomésticos.
Foi um profissional muito dedicado, chegava a ser “Caxias” no cumprimento do dever. Trabalhou sem parar até estar a poucos dias da aposentadoria, quando...
Numa madrugada fria, nunca esquecerei, ele foi chamado para substituir um colega. Prontamente, como sempre fazia, esperava o jipe da Cia para pegá-lo, ouvi minha mãe dizer:- Leva um casaco, homem! Não precisa pressa! Cuida-te! Ele tinha o hábito de sair às pressas, somente de macacão. Ele, na euforia por ser útil, dizia brincando:- Quebrou um dente, vou ser o dentista da Marion. Voltava faceiro e orgulhoso no final do expediente.
Naquela madrugada de 1968, porém, quase morre. O acidente ocorreu porque (não sei quem foi, nem me interessa saber) antes que fosse dado o aviso, o maquinista, por engano, ligou o motor e meu pai foi sentindo os cabos de um enorme rolo ferir- lhes as pernas. Felizmente ou por providência divina ele teve a feliz ideia e tempo para pendurar-se acima, não sei dizer bem onde e ali ficar pendurado, enquanto seu corpo ia sendo dilacerado. Não fosse a interferência e aviso de seu compadre Sr JACOB FIRMINO DE SOUZA (in memoriam), com um assobio fortíssimo, ele teria sido juntado à pá, triturado pelo cabo de aço, onde ele cumpria uma tarefa, nos seus últimos dias efetivos, fazendo um plantão que não era dele. Um acidente trágico que levou meu pai ao hospital de Porto Alegre por quase um ano. Nove meses internado, pois precisou fazer cinco enxertos e quatro plásticas para reconstruir sua perna . Ficou com sequelas no aparelho urinário e uma perna mais curta. Ao retornar ao lar era outro homem. Calado, tristonho, cheio de recordações. Vê-lo claudicando, era sentir a dor que somente uma esposa ou um filho sente.
Foi muito triste. Mais triste pensar que parece que ninguém lembra ou relata este trágico acidente. Entretanto, os que o amavam, sabiam o que ele sofreu. Mais triste ainda porque a poucos dias de concluir seu tempo de serviço, sofre o acidente e lhe dão aposentadoria por invalidez. Uma injustiça!
Oito anos depois dá entrada no hospital São José, da cidade de Criciúma-SC, onde fica internado por uma semana. Um tratamento simples que hoje poderia ser feito em casa. À época, não tínhamos o avanço de hoje. Não tínhamos telefone, o transporte era precário. Fomos visitá-lo no dia dos pais. Ficamos apavorados, segundo o médico, o quadro dele não era bom. E via-se mesmo, pelo aspecto e atitude desistente. Conversou conosco. Ouvimos alguns conselhos e só o deixamos porque terminara a hora da visita.
Na madrugada seguinte fomos chamados com urgência dizendo que ele estava na UTI. Ao chegar ao hospital conversei com o médico responsável que anunciou a dificuldade respiratória. - Ele fuma muito? - perguntou-me. - Que ironia! - Meu pai? Nunca fumou. - Não? - Admirou-se o médico. - Mas... Ele sofria de bronquite? - Sim, isto é um fato.
Ficamos ali aguardando melhoras mas não teve uma segunda chance. Deus quis levá-lo desta vez. Tinha apenas 59 anos, faria 60 em outubro. O laudo médico registrava Edema Pulmonar. Laudo que até hoje não me convenceu. Era 9 de agosto de 1976, um dia após o dia dos pais.
Texto de Janice de Bittencourt Pavan Em 04/08/15.

sábado, 11 de abril de 2015

UM DIA SEM


Trinta e um de março, terça-feira, importante registrar.  Acordei cheia de gás para o exerc ício do lar. Levantei, arrumei a cama, abracei um trouxa enorme de roupas e digiri-me à minha amiga very good, máquina de lavar. Com carinho de quem sabe o que precisa, ajeitei as bonitinhas na mesma.Sabão, amaciante, nivel alto, roupas brancas, lavar, etc... Tudo como pedem as instruções.
Segunda tarefa do dia: “sacríficio” do desjejum: suco verde e café  gostoso feitos pelo maridão...Em seguida, já que a casa estava  de pernas pro ar por conta de uma reforma, fui olhar os e-mails. Vamos que tenha alguém precisando de um retorno urgente...Rs.
­­_Sem internet!
_Sem internet?
_Mas como?
Fui saber com o pedreiro , podia ser  fio desconectado ao executar alguma tarefa ...Não, não era! Estava tudo certo.O wi-fi, facebook no celular funcionando. Seja de quem fosse a culpa,fiquei sem poder responder possíveis emergências. Rs
Uma vez desconectada com o mundo, fui estender as roupas.
Ao chegar à minha amiga de sempre,surpresa! A  água fugira das roupas e o sabão lá estava grudadinho  a elas. _ I don’t believe! Hum! Acho que coloquei roupa demais. Tirei parte delas, esfreguei  uma a uma para espalhar o sabão e descansei-as no balde. Fiz o mesmo com as demais e religuei a “amiga”.
Iniciou-se um ruído de chamar a vizinhança. _Nossa!Está feia mesmo. Preciso de um técnico.
Que droga!
_Bem, já que não tenho roupa lavada vou aquecer minha comidinha pois o estômago já
reclama.
Que facilidade! Cardápio “soborô ”... E só esquentar e dar a ele o caminho certo. Anote o cardápio: prejereba na manteiga com alcaparras,camarão ao molho rosê, legumes na manteiga e arroz branco. Uma delícia!Hummmmmmmmmmm! Diria Ana Maria. E você, não? Rs. Deu fome?
No capricho, direto ao micro-ondas,surpresa de novo! Não funcionou! _Ué? Que marmotagem  é essa?
Saio da casa e me dirijo ao pedreiro novamente; comento  demonstrando a estranheza; afinal as luzes estavam acesas...A  vizinha escuta e elucida o mistério. Meia fase de energia . Simples!Eletricidade com meia fase.Menos mal. Eu não precisaria chamar o técnico da Brastemp.Era só esperar .
­_E a comida,o jeito  é  usar o fogão, panelinhas , etc. Ah! O cheiro de uma boa comida já atiçava as glândulas...
O telefone toca.Era o maridão. Aproveitei o ensejo e falei das surpresas. Recomendou que eu enviasse um MSN pra CELESC.Enquanto explicava como fazer eu olhava a prejereba, o camarão  no prato , sentia o cheirinho...Ai, estava esfriando...Ninguém merece!
-Tá bom , tá bom, sei como fazer. Mas vou comer primeiro , tá?
Ai, como estava boa aquela prejereba feita pelo maridão no domingo!
Em seguida enviei o tal MSN pra Celesc que me retorna no automático informando “código sem validade”. - My God! De novo? Sem ?
Liguei pro 0800, que deu a resposta em seguida com resultado positivo. Agora sim estava com. Com energia ,com máquina, com micro, com geladeira...E tudo mais que precisasse da energia elétrica; menos o Note, é claro.
_ Ah...Tudo bem, é dia de professora de informática , ela chega e resolve minha internet.  
Esperei-a até as três , uma hora mais e nada. Confesso que me senti frustrada, pequena, impotente...Ahr!!!!
Depois, lembrei que aquela terça era sem professora.
Ah! Havia marcado com o técnico pra instalar o PC, ele vem e tudo se resolve, lembrei. Não veio. Esperei em vão, sem professora , sem técnico...
Chegou finalmente a noite. Com rede elétrica energizada , tudo tranquilo , pude fazer um lanche com meu maridão e contar a ele o dia pleno de ausências.
Ainda bem : Marido com.
Texto de Janice de Bittencourt Pavan
Em 11/04/15


terça-feira, 7 de abril de 2015

COSTURANDO



Costurando...

Acordei em 2015 com espírito de costureira.
Abri o baú de tecidos an-ti-gos....Alguns de vinte anos atrás, outros já completando bodas de coral.
Toda costureira que se preza tem um baú assim , cheio de surpresas em padrões e cores variadas.
Separei os tecidos de verão, lavei-os e pus a criatividade a funcionar. Cortes , recortes, alinhavos, provas ...E os modelitos iam tomando forma.
 As horas da tarde eram pequenas pra tanta disposição. E quando ela vem, precisamos aproveitar. Afinal fazia tempinho que não costurava pra mim.
`A tarde deixava um modelito em ponto de prova e à noite cortava outro .
A parte da manhã , é claro, reservava pras prendas domésticas. Afinal , o estômago morava ao lado.Ops! Ou cá dentro?
Depois da folga para o almoço, retornava à arte de costurar.
Lembrei de tantas vezes que, à  noite, mesmo muito jovem, ficava a fazer serão para adiantar um traje pra festa.Tempo dos anos dourados em que os bailes eram a maior e o melhor motivo para sairmos de casa, o mais inesquecível dos entretenimentos.
Aprendi a costurar aos dezoito anos , quase dezenove. Na época, com pressa, sem ter quem fizesse, estiquei o tecido sobre a mesa e sobre ele um casaco ( blazer), fui riscando, riscando aqui e ali...Cortei um novo. Um blazer, minha primeira peça. Doida. Uma lã super cara. Minha mãe viu , assustou-se e em seguida profetizou:  esta vai ser costureira, não tem medo de cortar pano.Acertou em cheio. Nunca mais minha mãe precisou fazer qualquer peça ou dar alguma explicação sobre costura ou acabamentos.
Hoje  estou , claro, com muita prática . São anos e anos na máquina , sempre que me dá vontade  faço alguma coisa.
Hoje , em 2015 (voltando ao meu espírito de costureira) , tirei muitos tecidos do baú, priorizei alguns , coloquei  minha aptidão à mostra que  me rendeu cinco vestidos ,uma camisola, duas bermudas, três lençóis com elásticos e quatro capas de travesseiros com zíper .
O baú que além de tecidos guardava também recordações (sim, pois cada tecido foi comprado em épocas especiais), foi ficando mais leve e a minha empolgação, mais evidente. Tanto que esqueci do meu corpo. Dei um mal jeito na região lombar e ...não foi fácil !
Depois de tantos  fazeres costurísticos, a artista gemeu. Gemeu de dor, chorou de aflição...
Seria rim? Ou a coluna? Dúvida cruel.
É ...”Abusei , tirei partido de mim, abusei”... Não tinha posição pra dormir. Nem em pé, nem sentada , eu conseguia descansar o corpo. A  lombar estava prejudicada. Travada...Com falta de ar..Quem dorme?
Bolsa de água quente...Relaxante  muscular... Muita água...UFA! Foi o que me ocorreu como primeiros socorros.
Para encurtar o texto, precisei do ortopedista: coluna mesmo. Um mal jeito bem jeitoso. Conclusão:dez sessões de fisioterapia , injeções e anti-inflamatório.
Apesar do sufoco, está  tudo bem agora .
Estou realizada por ter dado uma vida aos tecidos trabalhados.
Aos poucos as peças desfilarão em eventos novos , num corpito não tão jovem, felizes porque cumpriram sua missão finalmente. YES!
Texto de Janice de Bittencourt Pavan
Em 12/02/15.

quinta-feira, 5 de março de 2015

DESABAFO


DESABAFO
É  uma barbárie o que o mundo está fazendo com a vida. O que o mundo, lado imundo,está
fazendo com a vida que é tão linda. É desumano, é cruel saber tantas maldades, injustiças, roubalheiras e ficar assustado com tanta  perplexidade que a inoperância provoca.
Por que tantas mortes, meu Deus? Pergunto ao assassino: o que ganha com isso? O que ganha matando? Nada justifica tirar a vida de alguém. Por que um policial estuda, faz cursos, treinamentos e não sabe lidar com seu próprio destempero, não aprendeu lá no fundo suas li ções de cidadão, profissional guardião de vidas?
Porque essas pragas que estão no poder querem tanto dinheiro,meu Deus? Eles não sabem que necessitam de apenas 2m2 de terra para se deteriorarem quando morrerem, para serem devorados pelo cal, terra e bactérias?!
Por que doutores da lei se deixam corromper, lameados pela ganância e poder econômico?
O que levarão para o túmulo toda essa corja de malfeitores, inimigos da vida , destruidores do mundo? ...
O quê?
Pra quê?
Por quê?
Eu sei, eu sei, eu sei, nós sabemos...
Falta Amor, Respeito,Simplicidade, Honestidade,Fraternidade, o Olhar Generoso,muitos outros sentimentos do bem na Raiz Familiar,na Cultura da Fé,no Respeito ao Criador.
SÓ O AMOR CONSTRÓI, profetizam os autores Dom e Domingos Leoni.Esta frase devia ser explicada,explorada, compreendida em salas de aula, em quartos de dormir, em áreas sociais...
Todo ser vivo precisa de ar, sol, luz, calor, água e atenção. Mas o ser humano, o mais carente,  já não está tendo essas necessidades básicas e o TUDO que o move para o bem.
Temos tantos exemplos de pessoas humildes que ergueram escolas , curaram feridas, exemplos de voluntariado , exemplos de superação, de mutirão de ajuda ao próximo, de doações  que nascem não do poder econômico mas do poder do coração.
Então...Por quê?
Por que não seguir os bons exemplos?
Por que escolher caminhos  obscuros  da violência, da safadeza, da mediocridade, das drogas,  da corrupção,  da impunidade, da canalhice?! ...
Pergunto novamente:
Por que essas pragas roubam tanto?
Por que a injustica é tão injusta?
Por que a saúde está tão doente?
Por quê? Por quê?
Voltei à fase dos porquês...Quero ser criança.Quero acreditar. Quero sonhar que o Mundo é
 lindo  e a que a Vida é bela. Que só o amor constrói.  

Texto de Janice de Bittencourt Pavan
Em 2/2/15

segunda-feira, 3 de novembro de 2014


Amar é ...                                                                   
Amar é querer ficar perto.
É escutar o que o outro quer dizer, mas que, por algum motivo, o outro guarda consigo, bloqueia as próprias intenções.
Amar é perguntar quando tiver duvidas mesmo quando pareça uma coisa boba.
Amar é responder com simplicidade mesmo às perguntas tolas.
Amar é deixar o tempo sorver o acaso, deixar a vida se abrir em todas as horas, alegres ou tristes.
Amar é ouvir a voz do coração, a voz da razão, a voz do conjunto, sufocada ou raivosa, tranquila ou nervosa.
Amar é compreender a necessidade do outro.
Amar é sentir a presença do outro. Amar é lembrar o outro com ternura.
Amar é, sobretudo, não sentir-se obrigado a pedir perdão.
Amar é valorizar qualidades e minimizar os defeitos no outro.
Amar é arejar a convivência. Renovar o cotidiano.
Amar é surpreender...
Amar é ser feliz, fazer feliz...


Texto de Janice de Bittencourt Pavan – Fpolis 16.10.14