Leia e apaixone-se!
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
segunda-feira, 8 de maio de 2017
De quem são estes pés?
De quem são estes pés
tão bonitinhos com unhas coloridas?
Quantas histórias contariam se pudessem falar!
Dos muitos caminhos percorridos,
dos momentos de um cotidiano sufocante...
Estendidos na noite ou apoiados com medo,
no escuro ou ao sol...
Na ânsia de segurar suas dores
transformadas em segredos...
Enfrentando nuances do tempo, da chuva, do vento...
Estes lindos pés, de quem eles são?
Se pudessem dizer da vida a aventura!...
Na quebrada do tanque, no chão da cozinha,
no pedal de uma máquina de costura,
nas andanças a vender Linholene e Avon...
Onde a vontade conduzia, eles estavam por lá...
São tão bonitinhos! Unhas faceiras na cor do carmim.
Hoje a andarem tão lentos pelo corredor,
já não têm o vigor de outrora - mocidade já ida -
já não correm pra lida, já não dançam ligeiros.
Hoje têm o apoio de um andador
São de Apolônia, 93 anos, segue assim,
Que admirada com a foto sorri para mim.
Poema à minha mãe!
Janice de Bittencourt Pavan
Em
04/08/14
sexta-feira, 28 de abril de 2017
terça-feira, 18 de outubro de 2016
PRIMAVERA
Primavera
Chegou a primavera e com ela
o viço da terra, do ar, das folhas e da flor.
E com ela, a esperança no amor
Que desabrocha, se multiplica em cor.
Chegou a primavera e com ela
Brilham as estrelas e os astros
Surgem perfumes esparsos
Abrem-se portas e janelas.
Bem-vinda, estação das cores!
Brindam-se ideias e desejos
Transbordam taças sem pejo
Estação de encanto e fulgores.
Chegou a Primavera e com ela
Mais um ano de existência
De minhas amadas netinhas
Que com sua graça e inocência
Fazem de minh'alma um ninho
De luz, sonho e esperança,
Pois ter na vida crianças
É ter a Primavera sorrindo.
Em 13/10 2016
Janice de Bittencourt Pavan
terça-feira, 3 de maio de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Praia do Santinho
Praia do Santinho
Hoje, em 27 de janeiro de 2016, veio a vontade de escrever e inspiro-me
na Praia do Santinho, onde estou desfrutando do verão no seu primeiro mês. E é,
inegavelmente, um tema louvável pela importância que tem sua imagem, paisagem,
história e serventia.
A Praia do Santinho fica no norte da Ilha de SC, depois da Praia dos
Ingleses, sentido leste, trafegando-se pela Rodovia Estadual 406. Tem uma
extensão de 2200 metros e, apesar de suas águas serem muito movimentadas,
avisando perigo constantemente aos turistas, ela é a mais linda e a mais limpa
da ilha. E tão límpida que se sente no ar um cheiro de siri, veem-se os
peixinhos e, no fundo, a areia embolada pela agitação, num relevo em forma de
piscininhas, onde as crianças brincam relaxadas. “Esta é a minha praia”.
Pela manhã o sol nasce entre as nuvens cortando as imagens das pedras
nos morros que molduram os extremos da extensão. Mais à direita, no final da
mesma, encontra-se a Ponta das Aranhas, que por estar próxima às Ilhas das
Aranhas, recebeu essa nomeação geográfica. Essas Ilhas eram três muito próximas
e, por isso, mais tarde, foram consideradas apenas duas, chamadas Ilhas das
Aranhas por haver muitas aranhas na região. Ouve-se o ilhéu até hoje chamá-las
de “Dazaranhas”.
E por que Santinho e não Praia das Aranhas?
Existe uma lenda que na ponta dos rochedos aparecia um santo, santinho;
outros acreditavam ser coisas de bruxaria ou similar. A região é rica em
inscrições rupestres deixadas pelos homens do Sambaqui, importante registro
histórico para pesquisas e visitação, mas que na época eram vistas como coisas
do demônio ou das bruxas. O fato é que a praia está registrada como Praia das
Aranhas, mas como foi, por muito tempo, chamada de Santinho e, após 1990 ter a
construção de um empreendimento hoteleiro, denominado Costão do Santinho, o
topônimo pegou.
Praia dos deuses, dos ricos, dos pobres e dos pescadores. Fonte de renda
na Pesca e no Turismo.
Com alguns restaurantes, algumas pousadas, casas residenciais
disponíveis à locação, comércio ascendente, muitos moradores aposentados que vêm
da própria ilha, ou de fora, aqui fixam residência e pescadores nativos que
vivem da pesca artesanal, Santinho, aos poucos vai recebendo a infraestrutura
que sua beleza exige.
Hoje, a praia que era tranquila, passou a ser muito frequentada e
descoberta pelos turistas que costumavam veranear em praias vizinhas. Mas a
poluição do Rio Brás e outros meios poluentes, motivada pela falta de cuidado,
respeito e conscientização dos próprios usuários e mais o descaso das
autoridades competentes em tomar devidas providências, muitas praias das
quarenta reconhecidas, ficaram inadequadas para o banho e lazer. Que lástima!
Hoje chegando, seja pela manhã, tarde ou noitinha, a praia do Santinho parece
Copacabana. Lotada! – Ih! Descobriram nossa praia! - ouve-se de alguém.
E o que se espera?
Que volte à normalidade. Não para aliviar interesses de moradores no
ganho de areia, praia e mar... Mas sim que as praias lindas de Florianópolis
ganhem saúde, respeito, educação e prestação de serviço tanto dos usuários,
moradores, quanto das autoridades no cumprimento de suas atribuições.
Afinal há bônus e ônus em questão.
E aí, minha linda e bela Santinho, eu voltarei para usufruir deste
pedaço de mundo, maravilhoso, afrodisíaco, cheiroso e gostoso, com cheiro de
mar.
Texto de Janice de Bittencourt Pavan
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
As fases da Vida
Estamos neste mundo para viver bem e fazer o bem. Certíssimo.
Se não fizermos bem ao próximo, mas se fizermos o
bem para nós mesmos já estará de bom tamanho. Certo? A
nossa missão aqui na terra é exercitar o bem. Não
importa se houver uma centena de inescrupulosos, de vadios, de corruptos ou
ignorantes à nossa volta. O importante é fazer a nossa parte, aplicarmos
a sensatez nas tarefas para deixarmos o legado do bom exemplo.
Estou escrevendo bobagem? É muito óbvio?
Mas é
bom que pensemos assim bem simples. Para que complicar? É na simplicidade que
chegaremos aos grandes feitos, às grandes conquistas.
A vida nos apresenta várias oportunidades e várias
fases para que possamos crescer nos erros e nos acertos. Cada fase tem seu
encanto. Cada encanto no seu tempo.
Depois da fase de se engasgar com a mamadeira, de espalhar
arroz pelo chão, de por o dedo na tomada, de cair do carrinho, de
espalhar shampoo no carpete da casa, de beber líquido estranho, de
brincar de amarelinha, de jogar bola ou ficar encafifado no video - game ou
computador ...A gente ama a vida porque
essa fase foi gostosa, trabalhosa, dificultosa, maravilhosa, cheia de “osa”, para
os pais e para os filhos, porque brincar é um presente.Criança
brinca e adulto se diverte com elas.
Depois de fazer rabiscos nos cadernos, enchê-los
de orelhas, soletrar os fonemas e desenhar para colorir os estudos, aprender
tabuadas , redação e um monte de informações úteis...A
gente ama viver porque está entrando num mundo de riquezas,
belezas, surpresas e um montão de “esa”, por se sentir pronto para subir degrau por degrau a escadinha
do saber e poder conversar com o mundo. O aprendiz se alegra e o adulto fica
orgulhoso.
Depois de cometer algumas gafes, pagar alguns micos, curtir
insegurança,
ainda meio criança, vai bisbilhotando a vida, vai conhecendo o mundo
e aí,
aos poucos, vai se achar crescido, sabido, entendido, comprometido com o amar e
viver porque superou os medos e se sente
feliz . E faz feliz o seu redor.
Depois de se rebentar para o vestibular, de se desgraçar
atrás
de um trabalho, espalhar currículo pela cidade inteira, deixá-lo
até
na casinha do cachorro, de fazer figa para ganhar um emprego e, se conseguir, dizer
que a vida é bela, a vida é uma aventura, a vida é
tudo de bom!
Depois de convencer a si mesmo que chegou, atingiu, ganhou,
venceu... A noite não tem mais os embalos de ontem...Bate uma solidão!
E...
Gostoso! Gostosa solidão. Você
vai atrás
de um amor, alguém pra compartilhar seus achaques, suas conquistas. Ah,
força
tarefa!
Quanto mais avança o século mais difícil fica quebrar-se a solidão.
E os protagonistas ficam a espera do cupido, ou não procuram, ou se cansam de
fazê-lo. Para uns o encontro com o Príncipe ou a Cinderela é logo ali. Para
outros esta magia demora! Este território é longínquo... E o momento fica sendo
adiado ou o Príncipe ou a Cinderela vai aparecendo conforme a estação, ou chega
a despertar, querer entrar no túnel do tempo para facilitar o evento tão
sonhado. E aí, quando ele chega! Ah, Dio mio! Non è possibile tanta felicità!...
E é uma fase maravilhosa, mesmo pisando em ovos, temerária,
insegura, adaptando-se àquele ser que apesar do namoro, ainda é uma incógnita
(como todo humano que se preza), está ali ao seu lado para o que der e vier. O
que não é sempre assim, ou bem assim. Por isso a fase mais importante e mais
crucial do seu viver. É a fase dos pros e dos contras, dos vamos ver o que o outro pensa, partilha de ais e de risos. Fase da
descoberta do outro e acreditar no outro. De ver no outro não só os defeitos.
Fase de investir na relação. Fase de colar a bunda na cadeira ou sofá para por
os pingos nos “is” e pratos na mesa. Sem arma na mão. Nada de bang-bang. Únicas
armas: a palavra, o carinho e vontade de acertar. Este é o dever do
companheiro, companheira. Investir na relação, apostar no futuro dela.
Acreditar no outro.
Para isso é necessário muito Amor. Pois Só o Amor Constrói como
diz a música de Domingos Leoni.
Então, depois de você caminhar certinho pelos trilhos da
vida, ter seu barraco bonitinho, seu emprego garantido e o Amor compreendido...
Parabéns! Você quer ser pai. Você quer ser mãe.
Ah, que maravilha, meu Deus! Que maravilha meu Deus!
Se você tiver este privilégio... Se você tiver saúde... Se
você tiver estrutura... Que maravilha, meu Deus!
As fases tornam a acontecer e você verá que todas as fases
têm seu encanto quando são contornáveis. Toda fase tem seu encanto... Só não tem
a fase com doença...
Mas há quem demonstre o contrário. No mundo há muita gente
nesta fase e faz da vida um mar sem fim de riqueza pelo esforço, determinação,
superação, esperança e conquistas. Pessoas que querem viver.
Viver! Porque temos o direito de ser feliz e o dever de
fazer feliz.
Porque viver é a melhor opção.
Por que a Vida é Bela, mesmo assim, em todas as fases da
vida.
Pense assim todos os dias e a Vida lhe será bem mais leve!
Tenha certeza!
Texto de Janice de Bittencourt Pavan
Florianópolis, 18/09/15.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Borboleta no Cartão
Numa reunião, entre colegas foram deixados sobre a mesa, cartões coloridos, tipo postais, para que
cada um de nós olhasse a figura e escolhesse aquele com o qual mais se
identificasse. Escolhi a borboleta.
Por quê? A princípio pensei em liberdade, pois ela é um ser
que desperta e representa muito bem a liberdade. E quem não sonha com ela?
Borboleta!...Tão frágil!...Frágil como um sobrevoar. Sonho
que todos procuramos e, que somente com muita responsabilidade e limites,
conseguimos atingir com um resultado enriquecedor.
Em seguida, pensei na borboleta, lépida, inquieta,
saltitante, colorida, alegre... Esta sou eu. Sim, eu me acho uma borboleta! Assim
mesmo, com todos estes adjetivos. Pela inquietação que mora em meu ser, com a
vontade imensa de sempre estar em vários lugares e inventando trabalhos diferentes. Colorida porque amo
estar assim e mexer com as cores do arco-íris, com muita cor, tendo sensações
novas.
Alegre porque tenho vocação para a alegria, optei por sorrir
e suavizar o meu redor com positivismo e perseverança.
-E bela! - comentou alguém na sala. - Isso não conta, retornei. Lembrei, então, que
uma pessoa me disse que ser bela incomoda muito. Ao que eu respondi que a
beleza não é mérito de ninguém, pois o que somos foi nos presenteado pelos
pais. Ninguém é belo porque quer ou feio porque assim escolheu ser. Não há,
portanto, mérito em ser bela. Mérito é ter bom caráter, ter uma bagagem
positiva e enriquecedora. Mérito é ter a vontade e ser alguém na vida, de se
esforçar para ter alguma coisa ou conquistar os lugares ou os títulos que
buscamos com nossos talentos.
Olho novamente o cartão: sobre uma palma de flores, a borboleta
repousa suas asas.
Amei o cartão. Amei o exercício. Amo ser uma borboleta. Amo
ter a sensação de que sou livre ao encontro do vento e transparente sob a luz
do sol. Frágil sob as águas das chuvas, alegre por poder passar e trazer um
sorriso ao rosto de alguém que esteja triste e precise de uma distração qualquer.
Borboleta... É... Eu gosto de ser.
Texto de Janice de Bittencourt Pavan, em 09/09/14.
Francisco Cardoso de Bittencourt
FRANCISCO CARDOSO DE BITTENCOURT, filho de Alfredo Cardoso de Bittencourt e Alice Maria de Bittencourt, nasceu em Jaguaruna – SC em 4 de outubro de 1916.
Quando jovem veio morar em Imbituba para se fixar no Trabalho, onde conheceu e casou-se com Apolônia Patrício, natural de Cangueri de Fora, município de Imaruí, com quem teve doze filhos, um deles falecido ainda bebê, Jane Maria, com apenas oito dias, portadora de espinha bífida.
Os onze filhos, graças a Deus, vivos, são: José Geraldo, Janete, Janice, Jairo, Jaime, Jaci nascidos em Imbituba-SC e Jorge Luiz, Jair, João Batista, José Lino e Jane Cléia, em Siderópolis, formando a tradicional “escadinha”, costume da época. Sou a terceira do clã.
Em Imbituba, morávamos em frente à rua paralela à Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina. Entre muitas casas, havia a nossa, a do compadre Villi, que era proprietário do Cartório de Registro Civil Inês Barreto de Souza, sua esposa, nossos vizinhos muito queridos. Atravessando a rua, bem em frente, havia um bosque de eucaliptos cortado por um caminho muito simpático por onde passávamos para visitar o pai ou levar comidinha pra ele na oficina da CDI - Companhia Docas de Imbituba. Nela, trabalhou até 1954 como mecânico e à noite foi operador de máquina que rodava filmes nos cinemas.
Em 1954 nossa família (Francisco, Apolônia e os sete primeiros filhos) veio para Rio Fiorita, Distrito de Nova Belluno, mais tarde Siderópolis, por admissão da Companhia Siderúrgica Nacional. A primeira residência foi no Rio Fiorita, Rua 14, próximo à Igrejinha Santa Bárbara, mais tarde numa das casas geminadas da Vila Residencial da CSN, Rua 6, próximo ao Recreio do Trabalhador, Panificadora, Açougue e Armazém da mesma empresa. Em 1962, nos mudamos para uma casa de propriedade, na rua próxima a Estrada de Ferro, Rua Assis Brasil, 19, sede de Siderópolis, casa esta comprada do Sr Manoel Quadra, que em seguida veio a ser sogro de meu irmão mais velho, José Geraldo.
A companhia Docas de Imbituba foi criada em 03/11/1922, tendo Álvaro Monteiro de Barros Catão como diretor e foi importante na exploração de carvão através do Porto de Imbituba, onde todos os navios de carga ou passageiros da Companhia Nacional de Navegação Costeira faziam escala.
Com a descoberta das jazidas de carvão no sul de Santa Catarina e a construção da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, fortalecimento do Porto de Imbituba, aumentou a exploração do minério e, com os incentivos do Governo e participação da Companhia Siderúrgica Nacional, chega em Siderópolis a maior segunda escavadeira de carvão do mundo: a Marion Dragline 7800 - USA cuja montagem iniciou-se em 1961 e contou com uma equipe especializada de engenheiros e mecânicos, entre eles, meu pai, Francisco Cardoso de Bittencourt.
Lembro-me do orgulho que ele tinha por ser um dos mecânicos que montou a Marion. Brincava com as visitas que, por tanto entusiasmo da parte dele, supunham ser uma moça, uma namorada. Ele ria e explicava: - Não, não precisa ter ciúmes, a Marion é uma máquina, a segunda maior do mundo em extração de carvão. Veio dos USA. - Inflava o peito, descrevendo como era e o que fazia para retirar o carvão.
Foi um pai muito atencioso com os filhos, não queria que faltasse nada para os mesmos e, sempre que um filho resolvia se casar, ele não media esforços; pelo contrário, dava maior apoio e ensinava a construir o “ranchinho”, casa tipo um, que servia de morada para o casal durante o primeiro ano. Companheiro, colaborador nas tarefas de casa, a ponto de cozinhar para a família, enquanto nossa mãe, D. Apolônia, saia a vender Avon e capas de eletrodomésticos.
Foi um profissional muito dedicado, chegava a ser “Caxias” no cumprimento do dever. Trabalhou sem parar até estar a poucos dias da aposentadoria, quando...
Numa madrugada fria, nunca esquecerei, ele foi chamado para substituir um colega. Prontamente, como sempre fazia, esperava o jipe da Cia para pegá-lo, ouvi minha mãe dizer:- Leva um casaco, homem! Não precisa pressa! Cuida-te! Ele tinha o hábito de sair às pressas, somente de macacão. Ele, na euforia por ser útil, dizia brincando:- Quebrou um dente, vou ser o dentista da Marion. Voltava faceiro e orgulhoso no final do expediente.
Naquela madrugada de 1968, porém, quase morre. O acidente ocorreu porque (não sei quem foi, nem me interessa saber) antes que fosse dado o aviso, o maquinista, por engano, ligou o motor e meu pai foi sentindo os cabos de um enorme rolo ferir- lhes as pernas. Felizmente ou por providência divina ele teve a feliz ideia e tempo para pendurar-se acima, não sei dizer bem onde e ali ficar pendurado, enquanto seu corpo ia sendo dilacerado. Não fosse a interferência e aviso de seu compadre Sr JACOB FIRMINO DE SOUZA (in memoriam), com um assobio fortíssimo, ele teria sido juntado à pá, triturado pelo cabo de aço, onde ele cumpria uma tarefa, nos seus últimos dias efetivos, fazendo um plantão que não era dele. Um acidente trágico que levou meu pai ao hospital de Porto Alegre por quase um ano. Nove meses internado, pois precisou fazer cinco enxertos e quatro plásticas para reconstruir sua perna . Ficou com sequelas no aparelho urinário e uma perna mais curta. Ao retornar ao lar era outro homem. Calado, tristonho, cheio de recordações. Vê-lo claudicando, era sentir a dor que somente uma esposa ou um filho sente.
Foi muito triste. Mais triste pensar que parece que ninguém lembra ou relata este trágico acidente. Entretanto, os que o amavam, sabiam o que ele sofreu. Mais triste ainda porque a poucos dias de concluir seu tempo de serviço, sofre o acidente e lhe dão aposentadoria por invalidez. Uma injustiça!
Oito anos depois dá entrada no hospital São José, da cidade de Criciúma-SC, onde fica internado por uma semana. Um tratamento simples que hoje poderia ser feito em casa. À época, não tínhamos o avanço de hoje. Não tínhamos telefone, o transporte era precário. Fomos visitá-lo no dia dos pais. Ficamos apavorados, segundo o médico, o quadro dele não era bom. E via-se mesmo, pelo aspecto e atitude desistente. Conversou conosco. Ouvimos alguns conselhos e só o deixamos porque terminara a hora da visita.
Na madrugada seguinte fomos chamados com urgência dizendo que ele estava na UTI. Ao chegar ao hospital conversei com o médico responsável que anunciou a dificuldade respiratória. - Ele fuma muito? - perguntou-me. - Que ironia! - Meu pai? Nunca fumou. - Não? - Admirou-se o médico. - Mas... Ele sofria de bronquite? - Sim, isto é um fato.
Ficamos ali aguardando melhoras mas não teve uma segunda chance. Deus quis levá-lo desta vez. Tinha apenas 59 anos, faria 60 em outubro. O laudo médico registrava Edema Pulmonar. Laudo que até hoje não me convenceu. Era 9 de agosto de 1976, um dia após o dia dos pais.
Texto de Janice de Bittencourt Pavan Em 04/08/15.
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